Acho importante a pessoa que curte escrever se aventurar por diversos tipos de linguagens e de temas – estabelecer novas conexões, sinapses.
- Acho lindo.
Eu, que gosto de escrever, tento me dedicar mais a esse exercício, abandonando esse meu linguajar dramático, de desabafo mesmo – que me é muito característico, pra de repente escrever sobre outras pessoas reais, ou sobre pessoas surreais, ou pessoas que sei lá, moram em mim e que não sejam tão...melodramáticas.
Juro que tento.
Mas escrever acaba por ser uma extensão do sentimento que mora em mim. E, quando dou por mim, mesmo botando o outro no meio, de repente sou eu, destrinchando a minha vida e toda aquela angústia que gira ao redor dela.
Admiro quem se atém as coisas externas. Admiro mais ainda aquele que consegue escrever, lindamente sendo completamente imparcial.
Admiro, mas isso não é pra mim. Talvez as minhas funções cognitivas relativas à escrita sejam limitadas. Sabe-se lá.
No meio da primeira frase o coração se intromete e pronto.
Traçando uma linha cronológica, percebo claramente o quanto essa linha emocional ultrapassa os papéis e delimita totalmente todos os caminhos que tracei ,todas as pessoas que me dei, todas as escolhas que por fim nunca escolhi – sempre me escolheram.
[Esses parágrafos surgiram de uma reflexão que ,como todas as outras se não for feita no papel, se perde. Surgiram de um questionamento sobre o porquê de nunca experimentar escrever sobre política e assuntos gerais que dizem respeito a um contexto bem maior do que meu próprio umbigo.
Funções cognitivas ou pequenez humana. De qualquer forma ,acabo me explicando: Ainda tô tentando entender meu próprio universo pra ver se dou um jeito de me encaixar nesse aí tão maior e tão mais complexo.]
- Coração sobrecarrega.
quarta-feira, 25 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
- Contrários -
Mas o que mais temia era ser idiota.
Podia ser considerada qualquer outra coisa.
Idiota nunca.
Era por isso que vivia calada. Tinha gente que dizia que era
timidez. Ela achava melhor. As vezes, se autodenominava tímida só pra não
acabar dizendo qualquer imbecilidade. E sim, de alguma forma podia ser de
timidez o seu silêncio, porque de fato morria de vergonha de errar.
-Não era inteligência que lhe faltava. Temia ser idiota por
inseguranças -
Devia ser algum trauma de infância. Alguma vez, fatalmente,
foi idiota na vida. Foi idiota e alguém descobriu . Alguém descobriu e apontou.
Pronto. Bastou pra que o silêncio se instaurasse.
Fico imaginando o som ensurdecedor dentro dela .
Fico imaginando a dor.
Enquanto isso há aquele que não abre mão de ser idiota.
Não pode ser considerado nada
Além de um completo idiota.
E por isso que nunca calava a boca. Tinha gente que dizia
que era porque era um cara culto. Ele achava melhor. As vezes, se
autodenominava culto , só pra acabar dizendo qualquer imbecilidade. E sim, de
alguma forma podia ser feito de sabedoria o seu falatório, porque de fato o que
sabia fazer era falar.
-Era inteligência que lhe faltava. Gostava de ser idiota por
inseguranças -
Devia ser algum trauma de infância. Alguma vez, fatalmente,
foi humano na vida. Foi humano e alguém descobriu. Alguém descobriu e apontou.
Pronto, bastou pra que o barulho se instaurasse.
Fico imaginando o silêncio ensurdecedor dentro dele.
Fico imaginando a dor.
Melancolia
De repente, todos os outros 27 não fizeram sentido. Me questiono em qual desses anos eu decidi ser quem eu era e fazer o que eu fazia.
De repente, já não sou quem eu era.
De repente sinto uma vontade de ser tudo justamente ao contrário do que sempre fui e fazer tudo ao contrário do que sempre fiz ao mesmo tempo que me vem uma vontade enlouquecida de não ser absolutamente nada, de não fazer absolutamente nada.
Tudo e nada. Tudo e nada.
De repente, já não sou quem eu era.
De repente sinto uma vontade de ser tudo justamente ao contrário do que sempre fui e fazer tudo ao contrário do que sempre fiz ao mesmo tempo que me vem uma vontade enlouquecida de não ser absolutamente nada, de não fazer absolutamente nada.
Tudo e nada. Tudo e nada.
Cansaço .
Cansaço de, de repente ter que recomeçar a vida aos 28 e me reinventar, sem saber se ainda me resta proveito do que já fui ou do que já fiz.
Sinto saudades de não ser e não saber , e ainda assim ser genuinamente,
enlouquecidamente
feliz.
Sinto saudades de não ser e não saber , e ainda assim ser genuinamente,
enlouquecidamente
feliz.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Felicidade à la carte
Quando eu me pego pensando sobre o que de fato me faz genuinamente feliz, sempre me vem à cabeça a palavra "mar". E o quê extraio do mar pra me causar essa euforia é o que me intriga. Se penso nos frutos que ele me dá, logo descarto. Meu lance sempre foi arroz, feijão e angu. Se penso que sou feliz por navegar por entre suas águas, já me causa náuseas só de pensar. Quanto aos mergulhos, só me aventuro até os calcanhares. Resolvo dar por encerrada a questão. A minha felicidade não habita no mar. Por longo tempo me esqueço disso, até o dia em que resolvo ir a praia, numas férias qualquer. Ao me aproximar do meu destino, logo me vem uma sensação conhecida, remota, quase nostálgica. Algo que nasce no estômago e vibra nos olhos... Subitamente, me recordo daquele epifania de outrora sobre a Gênesis da minha felicidade... E ainda é fato. Ainda conlcuo que havia me precipitado sobre "ser" o mar. O que vibra agora diante dos meus olhos e nasce no meu estômago, é a simples conclusão que a felicidade é justamente o contrário. Ela reside justamente em não possuir o mar , mora na saudade dele... Assim que o mistério se desvenda, outro sentimento me toma por inteiro: a tristeza. E com a tristeza, outro questionamento, como se não cessasse nunca . Me senti exausta ao pensar , extremista que sou, que de agora pra frente, só seria feliz diante de tudo aquilo que não possuísse. Com a água até os calcanhares, olhando a imensidão daquele mar, desejei voltar no tempo. No tempo em que todas as indagações começam a tomar forma, e a gente começa a formular as nossas próprias opiniões. Teria dito que o que de fato me faz genuinamente feliz, é arroz, feijão e angu. Pronto. Teria vivido feliz para sempre.
Amor e tamborim
Assim que o ano nasce, com ele desperta toda a euforia e encanto.
Que vive nela, dentro dela, em Maria.
Logo janeiro desabrocha, e ela já calça suas sapatilhas gastas, porém resistentes
a dois ou mais janeiros,
a dois fevereiros
até o início do último março.
"As sapatilhas têm vida própria ou são como amuleto . Basta calçá-las pra magia acontecer. Os pés simplesmente não se cansam e simplesmente não tocam o chão, até chegar a quarta feira de cinzas."
É o que sempre escuto de Maria, toda vez que a encontro com suas sandalhinhas de trapos, encardidas de festa.
Ela sempre me convence, afinal.
Mas Maria só repete sapatilha. No resto ela inova. Parece que ela vive pra viver de começo de ano,enfim.
Encontrei com ela num dia desses , e lhe perguntei sobre as novidades. Ela me veio com o papo de carnaval, que é o que sempre faz brotar sorriso naquele rosto.Disse que esse ano ela passa vestida de beija-flor, boneca de pano, pirata e julieta. Diz que aprendeu tamborim pra tocar em bloco, e que desse ano não passa, que nesse carnaval ela encontra um grande amor.
Dessa vez, Maria me surpreendeu, porque nunca vi Maria falando de amor nem de tamborim.
Todo ano bastava fantasia e confete.
Era ela saltando de um lado pro outro,
com sapatilha de remendo,
meia calça desfiada.
Nem beber ela bebia, pra não perder detalhe nem de cor. nem de fantasia. nem de gente.
-Amor de verdade, Maria? No carnaval?E agora tamborim?!Maria...- Questionei,enfim.
E veio Maria, com sorriso que já virou flor, me dizendo que se fantasiar e jogar confete, pra ela, já não bastava. Tinha que entender do que era feito tudo aquilo, todo aquele encanto, euforia e magia que tirava seus pés do chão.E foi buscar no ritmo , na sequência , no embalo.
E foi exatamente nesse mesmo ritmo, nessa mesma sequência, nesse mesmo embalo, que pôde prever a chegada do amor.
No instante em que os remendos de suas sapatilhas se desfizessem -o que ja era previsto acontecer até a ultima terça-feira de folia,
e as cinzas de quarta silenciassem todo e qualquer batuque,
saberia que assim como seu coração cansado, haveria um outro necessitando desse mesmo alento que todo fim de momento bonito causa. E Maria estaria por perto, com novos propósitos, pra compartilhar o resto do seu 87º ano com esse outro alguém...
(Parece que agora ela quer viver de vida inteira,enfim.Com ou sem sapatilha, com ou sem fantasia, de amor e de tamborim...)
Que vive nela, dentro dela, em Maria.
Logo janeiro desabrocha, e ela já calça suas sapatilhas gastas, porém resistentes
a dois ou mais janeiros,
a dois fevereiros
até o início do último março.
"As sapatilhas têm vida própria ou são como amuleto . Basta calçá-las pra magia acontecer. Os pés simplesmente não se cansam e simplesmente não tocam o chão, até chegar a quarta feira de cinzas."
É o que sempre escuto de Maria, toda vez que a encontro com suas sandalhinhas de trapos, encardidas de festa.
Ela sempre me convence, afinal.
Mas Maria só repete sapatilha. No resto ela inova. Parece que ela vive pra viver de começo de ano,enfim.
Encontrei com ela num dia desses , e lhe perguntei sobre as novidades. Ela me veio com o papo de carnaval, que é o que sempre faz brotar sorriso naquele rosto.Disse que esse ano ela passa vestida de beija-flor, boneca de pano, pirata e julieta. Diz que aprendeu tamborim pra tocar em bloco, e que desse ano não passa, que nesse carnaval ela encontra um grande amor.
Dessa vez, Maria me surpreendeu, porque nunca vi Maria falando de amor nem de tamborim.
Todo ano bastava fantasia e confete.
Era ela saltando de um lado pro outro,
com sapatilha de remendo,
meia calça desfiada.
Nem beber ela bebia, pra não perder detalhe nem de cor. nem de fantasia. nem de gente.
-Amor de verdade, Maria? No carnaval?E agora tamborim?!Maria...- Questionei,enfim.
E veio Maria, com sorriso que já virou flor, me dizendo que se fantasiar e jogar confete, pra ela, já não bastava. Tinha que entender do que era feito tudo aquilo, todo aquele encanto, euforia e magia que tirava seus pés do chão.E foi buscar no ritmo , na sequência , no embalo.
E foi exatamente nesse mesmo ritmo, nessa mesma sequência, nesse mesmo embalo, que pôde prever a chegada do amor.
No instante em que os remendos de suas sapatilhas se desfizessem -o que ja era previsto acontecer até a ultima terça-feira de folia,
e as cinzas de quarta silenciassem todo e qualquer batuque,
saberia que assim como seu coração cansado, haveria um outro necessitando desse mesmo alento que todo fim de momento bonito causa. E Maria estaria por perto, com novos propósitos, pra compartilhar o resto do seu 87º ano com esse outro alguém...
(Parece que agora ela quer viver de vida inteira,enfim.Com ou sem sapatilha, com ou sem fantasia, de amor e de tamborim...)
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Meu novo ano
Me faz bem acordar num reinício. É como se meus olhos
fechassem mais esgotados do que o normal, carregando as cores, imagens e historias de um ano todo , e acordassem,
simplesmente refeitos, límpidos, como uma folha em branco.
Mais uma vez.
Me faz bem essa sensação que se esgota e se inicia . Me faz
sentir que a juventude é a significação de algo muito maior do que a
conservação de um corpo – é feito do que se conserva a alma. É como a gente
cuida do que tá dentro. É a forma que a gente se reinventa toda a vez que
nossos olhos se cansam, e tem que ainda assim despertar, e continuar a produzir
, e continuar a encantar.
Porque tudo que é novo, é jovem. Todo ano que nasce, é tudo
aqui de dentro que desperta junto, é que acorda junto, é que levanta outra vez.
Mais uma vez.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
O motivo da minha inspiração.
Meu coração estava obstinado a ser auto suficiente.
Depois de todas as decepções obvias que qualquer pessoa que se preze a correr riscos se depara, eu simplesmente decidi recuar. Parar de tentar,sabe?
Qualquer coisa assim.
E aí você entrou na minha historia torta. Do jeito mais torto que podia entrar.
Te conhecia de vista. Você sempre tava sorrindo e eu sempre achei que era o típico sorriso de idiotas decepcionantes. Fora indiferente a tudo isso, do jeito que havia prometido a mim mesma que seria desde então.
Mas era permissiva quanto a aproximações amigáveis. Sempre me dei melhor com homens, sempre achei que seria mais fácil lidar com o menos complexo. Um lance de aquarianos –me disseram.
E tinha o outro requisito, que me distanciava de riscos maiores. Sabe, nessa conversa prefiro deixar de florear a vida como de costume. Eu tava desleixada comigo.
Tinha me acomodado a uma rotina simples, sem esforço.
Tava anestesiada e sem fé.
Não conferia o espelho com frequência e tava acima do peso.
Ah, ok, sem floreios.
Tava gorda.
Mas ainda assim arranjava uma coisa ali, outra coisinha acolá. Sempre investi em dar meu melhor no que tinha de melhor pra oferecer.
Até chegar você e me dar motivo pra não ser só melhor no que eu já era boa. Queria ser melhor em tudo...tudo.
No começo, foi um pouco sem perceber. De qualquer forma, sempre foi bem natural,né?
Comecei sendo permissiva, como já disse.
Seu sorriso cafajeste combinava com o meu.
Éramos farinha do mesmo saco, e achei que seria suficiente pra não dar estrago. Nunca quis me envolver romanticamente com gente da minha laia.
Mas rolou algo estranho.
Começamos a sair, a compartilhar todas as coisas que gostávamos da mesma forma. E até as coisas de que não gostava, compartilhava porque você fazia, sei lá, parecer menos detestáveis.
Lembra quando eu sai do trabalho e fui te encontrar pra assistir um espetáculo, e como tantas outras vezes, a gente chegou tarde demais e os ingressos já tinham esgotado? Começou a chover, você me disse que adorava chuva, tempo nublado e todo um clima que eu sempre detestei. Foi suficiente pra me fazer mudar completamente de ideia, no momento em que você me obrigou a sair no meio de um temporal pra procurar um bar pra tomar cerveja.
Eu tava ali, toda encharcada e completamente satisfeita.
Cheguei em casa e escrevi pra você.
Fiz uma analogia sua com a chuva.
Coloquei tudo quanto era coisa boa em relação a chuva pra comparar com você.
A chuva não costumava me inspirar. Nem sorriso cafajeste, muito menos gente do meu tipo. Quando eu percebi, umas semanas depois, depois de substituir pizza por salada, ociosidade por capricho , e escrever sobre tudo que nunca foi motivo...
...que era a primeira vez que eu me apaixonava perdidamente.
Depois disso, chegou o sofrimento. Seu sorriso tinha a mesma falta de pretensão de sempre. E sempre me convidava pra sair pra tudo quanto é canto , sozinhos na maioria das vezes e nem dava indícios de que eu me tornava qualquer outra coisa aí, dentro de você...
E eu ia me dedicando cada vez mais a te surpreender de todas as formas que eu pudesse. Queria ocupar todo espaço que você me autorizasse a pisar, ao mesmo tempo que te carregava pra onde eu pudesse te levar.
Pra onde fosse mais bonito.
Meu coração tinha uma nova obstinação. Ele não queria ser só,
- ele queria ser seu.
Lembro que num desses cantos que a gente visitou juntos, depois de vários meses, você me autorizou a te beijar. Você ou a tequila, confesso que nem eu me lembro, mas alguma parte de você, inconscientemente ou não, queria outra coisa de mim, por mais que fosse pequena, por mais que fosse um lance que todo homem quer de qualquer mulher.
E aí investi nisso também. A química me deu uma mãozinha. Admito que em muitas noites, o álcool também me auxiliava a te levar pra onde eu quisesse.
Fui sempre má intencionada (agora eu digo)
E era o nosso segredo. Por muito tempo quase ninguém soube de fato o que éramos um pro outro. E o pouco de gente que sabia, que sabia de verdade sobre tudo que eu queria, me recomendava a parar de me machucar. Porque oh, eu me machucava calada e você era o culpado ...calado.
E nunca, nunca quis pedir ajuda. Nunca acreditei que a fé interferisse no livre arbítrio de ninguém, mas eu passei a me apegar em algum tipo de crença, e passei a pedir todo bendito e não santo dia , com todo carinho, pra começar a ser correspondida.
Acredito que isso não te fez me querer de outra forma. Acho que simplesmente me fez me querer de outra forma.Olhar pra mim mesma e pedir por mim mesma com mais carinho, mais apreço.
Não nego. Muita gente andou percebendo isso antes de você.
E eu continuei sendo permissiva,
porque eu queria depois de tudo,
ser simplesmente feliz.
Mas deixei você saber de tudo isso. Deixei meu coração nas suas mãos e te prometi aceitar o que você pudesse me dar. Eu fiz isso, porque acreditei que diante de tudo q a gente vivia, não haveria de receber nada de ruim vindo de você.
Me permiti andar por outros caminhos, tentar outras motivações.
Mas eu continuava escrevendo só pra você.
Depois do dia da chuva, nada além de você ,me dava motivo pra escrever.
E me permitir, sem qualquer inspiração...não valia a pena ..
De nada me valia.
Até que chegou um outro tempo em que você me reconheceu pelos olhos dos outros.
A gente continuava saindo, viajando, fazendo tudo que costumávamos a fazer,
mas eu te vi reparando em qualquer outro que me reparava e eu vi que te incomodava.
Pequenas recompensas pro meu ego ferido...
E aí...
Você chegou. Me beijou no meio da rua, sem segredo, sem tequila, sem cafajestagem.
Me beijou e me disse que eu era linda.
Por fim tomou meu coração obstinado
e foi deixando o seu tão despretensioso escorregar devagar pras minhas mãos.
Fui sem orgulho algum.
Continuei me deixando guiar por onde você quisesse ir.
E essa é a parte mais bonita de toda a minha história.
E essa é a parte que parece ter dado sentido pra todos os outros 27 anos ,e pessoas e corações partidos que passaram.
Agora, com a fé instaurada e com a alma tão agradecida e plena, vou ficar insistentemente pedindo e pedindo pra que esse momento da minha historia se perpetue ( e vá ainda além, se possível).
Prometo não me acomodar ,nem me conformar, nem me descuidar.
Agora que você chegou, pronto. Daqui pra frente só caminho se for junto.
Porque te amo.
Depois de todas as decepções obvias que qualquer pessoa que se preze a correr riscos se depara, eu simplesmente decidi recuar. Parar de tentar,sabe?
Qualquer coisa assim.
E aí você entrou na minha historia torta. Do jeito mais torto que podia entrar.
Te conhecia de vista. Você sempre tava sorrindo e eu sempre achei que era o típico sorriso de idiotas decepcionantes. Fora indiferente a tudo isso, do jeito que havia prometido a mim mesma que seria desde então.
Mas era permissiva quanto a aproximações amigáveis. Sempre me dei melhor com homens, sempre achei que seria mais fácil lidar com o menos complexo. Um lance de aquarianos –me disseram.
E tinha o outro requisito, que me distanciava de riscos maiores. Sabe, nessa conversa prefiro deixar de florear a vida como de costume. Eu tava desleixada comigo.
Tinha me acomodado a uma rotina simples, sem esforço.
Tava anestesiada e sem fé.
Não conferia o espelho com frequência e tava acima do peso.
Ah, ok, sem floreios.
Tava gorda.
Mas ainda assim arranjava uma coisa ali, outra coisinha acolá. Sempre investi em dar meu melhor no que tinha de melhor pra oferecer.
Até chegar você e me dar motivo pra não ser só melhor no que eu já era boa. Queria ser melhor em tudo...tudo.
No começo, foi um pouco sem perceber. De qualquer forma, sempre foi bem natural,né?
Comecei sendo permissiva, como já disse.
Seu sorriso cafajeste combinava com o meu.
Éramos farinha do mesmo saco, e achei que seria suficiente pra não dar estrago. Nunca quis me envolver romanticamente com gente da minha laia.
Mas rolou algo estranho.
Começamos a sair, a compartilhar todas as coisas que gostávamos da mesma forma. E até as coisas de que não gostava, compartilhava porque você fazia, sei lá, parecer menos detestáveis.
Lembra quando eu sai do trabalho e fui te encontrar pra assistir um espetáculo, e como tantas outras vezes, a gente chegou tarde demais e os ingressos já tinham esgotado? Começou a chover, você me disse que adorava chuva, tempo nublado e todo um clima que eu sempre detestei. Foi suficiente pra me fazer mudar completamente de ideia, no momento em que você me obrigou a sair no meio de um temporal pra procurar um bar pra tomar cerveja.
Eu tava ali, toda encharcada e completamente satisfeita.
Cheguei em casa e escrevi pra você.
Fiz uma analogia sua com a chuva.
Coloquei tudo quanto era coisa boa em relação a chuva pra comparar com você.
A chuva não costumava me inspirar. Nem sorriso cafajeste, muito menos gente do meu tipo. Quando eu percebi, umas semanas depois, depois de substituir pizza por salada, ociosidade por capricho , e escrever sobre tudo que nunca foi motivo...
...que era a primeira vez que eu me apaixonava perdidamente.
Depois disso, chegou o sofrimento. Seu sorriso tinha a mesma falta de pretensão de sempre. E sempre me convidava pra sair pra tudo quanto é canto , sozinhos na maioria das vezes e nem dava indícios de que eu me tornava qualquer outra coisa aí, dentro de você...
E eu ia me dedicando cada vez mais a te surpreender de todas as formas que eu pudesse. Queria ocupar todo espaço que você me autorizasse a pisar, ao mesmo tempo que te carregava pra onde eu pudesse te levar.
Pra onde fosse mais bonito.
Meu coração tinha uma nova obstinação. Ele não queria ser só,
- ele queria ser seu.
Lembro que num desses cantos que a gente visitou juntos, depois de vários meses, você me autorizou a te beijar. Você ou a tequila, confesso que nem eu me lembro, mas alguma parte de você, inconscientemente ou não, queria outra coisa de mim, por mais que fosse pequena, por mais que fosse um lance que todo homem quer de qualquer mulher.
E aí investi nisso também. A química me deu uma mãozinha. Admito que em muitas noites, o álcool também me auxiliava a te levar pra onde eu quisesse.
Fui sempre má intencionada (agora eu digo)
E era o nosso segredo. Por muito tempo quase ninguém soube de fato o que éramos um pro outro. E o pouco de gente que sabia, que sabia de verdade sobre tudo que eu queria, me recomendava a parar de me machucar. Porque oh, eu me machucava calada e você era o culpado ...calado.
E nunca, nunca quis pedir ajuda. Nunca acreditei que a fé interferisse no livre arbítrio de ninguém, mas eu passei a me apegar em algum tipo de crença, e passei a pedir todo bendito e não santo dia , com todo carinho, pra começar a ser correspondida.
Acredito que isso não te fez me querer de outra forma. Acho que simplesmente me fez me querer de outra forma.Olhar pra mim mesma e pedir por mim mesma com mais carinho, mais apreço.
Não nego. Muita gente andou percebendo isso antes de você.
E eu continuei sendo permissiva,
porque eu queria depois de tudo,
ser simplesmente feliz.
Mas deixei você saber de tudo isso. Deixei meu coração nas suas mãos e te prometi aceitar o que você pudesse me dar. Eu fiz isso, porque acreditei que diante de tudo q a gente vivia, não haveria de receber nada de ruim vindo de você.
Me permiti andar por outros caminhos, tentar outras motivações.
Mas eu continuava escrevendo só pra você.
Depois do dia da chuva, nada além de você ,me dava motivo pra escrever.
E me permitir, sem qualquer inspiração...não valia a pena ..
De nada me valia.
Até que chegou um outro tempo em que você me reconheceu pelos olhos dos outros.
A gente continuava saindo, viajando, fazendo tudo que costumávamos a fazer,
mas eu te vi reparando em qualquer outro que me reparava e eu vi que te incomodava.
Pequenas recompensas pro meu ego ferido...
E aí...
Você chegou. Me beijou no meio da rua, sem segredo, sem tequila, sem cafajestagem.
Me beijou e me disse que eu era linda.
Por fim tomou meu coração obstinado
e foi deixando o seu tão despretensioso escorregar devagar pras minhas mãos.
Fui sem orgulho algum.
Continuei me deixando guiar por onde você quisesse ir.
E essa é a parte mais bonita de toda a minha história.
E essa é a parte que parece ter dado sentido pra todos os outros 27 anos ,e pessoas e corações partidos que passaram.
Agora, com a fé instaurada e com a alma tão agradecida e plena, vou ficar insistentemente pedindo e pedindo pra que esse momento da minha historia se perpetue ( e vá ainda além, se possível).
Prometo não me acomodar ,nem me conformar, nem me descuidar.
Agora que você chegou, pronto. Daqui pra frente só caminho se for junto.
Porque te amo.
(E só escrevo pra você)
Assinar:
Postagens (Atom)