terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Às vezes na escuridão eu me perco.
Fico questionando a vida,
Os rumos que tomei.
Indago-me, sobretudo, sobre aqueles caminhos que não percorri,
E sobre as vidas que não vivi,
E os porres que não tomei.

A escuridão me traz essa clareza.

Fica nítida a inquietude que mora em mim.
A inconstância dos meus passos,
A incoerência dos meus desejos,
A forma como eu nunca me resolvi.

E é nessas noites que me percebo.
Que noto o quanto de vida ainda mora em mim.
E o quanto de vida deixei cessar
No tempo em que fiquei só a espreita,
Na janela daquele quarto,
Vivenciando o escuro e os efeitos que isso me causa.

Deixarei cessar quando necessário
Talvez assim, na clareza do breu,
Eu finalmente saiba qual novo caminho tomar.
E qual velho rumo hei de escapar,
E qual outra vida hei de viver.

Tudo assim acontecerá
No instante em que a noite chegar
E me calar os passos
E me interromper a voz
E me gritar os olhos
Na mesma velha janela daquele quarto sem luz.
Eu tenho medo.
Receio que meu melhor não se sobressaia
Se acima de tudo,eu sou menos ?
Se o que eu transpareço,não ultrapassa o que os olhos vêem?
E se o coração não sente?
Até onde eu consigo chegar?
As vezes sinto que estou prestes a conquistar algo maior.
Mas só estou prestes.
E consecutivamente eu morro na praia - ali,bem perto da sombra.
Me disseram que é porque Deus tem propósitos maiores pr
a mim.
Eu gostaria de descobrir do que são feitos, e onde moram - e como eu deveria alimentá-los.
Porque cansa forçar um passo e não vencer a inércia.

E eu só sei que não gostaria de continuar por aqui.
E Gostaria de viver por uns dias sem um pingo de receio - de curtir o resultado dos inúmeros caminhos - de não me bastar com só um.
Prezo por um coração que me enxergue além do casco - e que ele sinta!
E que eu sinta.
E que eu alcance a sombra, alcance a conquista.
E que o propósito seja só o que eu tenho em vista.
E que nem a física seja capaz de impedir meus sonhos.

E que nada disso se transforme somente em uma prece.

Entretanto e de qualquer forma....

Amém.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

De dentro pra fora


‎"Fernanda, seu percentual de gordura está acima da média. Temos que dar um jeito,procurar algo que te motive a perder peso, a mudar seus hábitos."

Tá. Vamo lá.

Primeira tentativa. Academia.

"Vamos trabalhar muito em cima de aeróbico pra dar aquela secada, com doses iniciais de musculação. Spinning pode auxiliar na queima rápida de gordura, talvez implementando aulas de yoga pode propiciar equilíbrio entre a mente e o corpo, e umas aulas de aero bahia ,body kombat, jump, pra você quebrar o gelo e se divertir pacas enquanto fica gostosa e saudável. No final você vai ficar viciada em endorfina, e quando menos esperar , vai tá gostosa e saudável. Hein,hein?"

Tá.

Nas primeiras semanas - 6 vezes na semana de pura dedicação. 1 chocolate por dia, no máximo.
3 meses depois - 6 chocolates por dia, 1 dia da semana reservado pra tirar aquele peso da consciência em 30 minutos andando numa esteira (academia lotada,paciência esgotada)

Segunda tentativa. Reeducação alimentar.

Cereais pro intestino. Salada como molhos de ervas finas. Quem precisa de carboidrato? Frutas da estação - a nova onda do momento. Adoçante no suco. Comer feito passarinho de 3 em 3 horas. Alimentos sólidos?No,gracias. Vamos de shake (sabor chocolate,baunilha,côco,milho verde,alho poró). Água com gás gelo e limão substitui cerveja e vinho perfeitamente. Picanha sangrando é coisa do passado.Carne branca,queijo branco,cocô verde - super tendência.

"A gente precisa reeducar seu organismo. Você vai ver, depois de um tempo você vai perceber que seu paladar não tem mais necessidade dessas porcarias. Você vai aprender a se abdicar e se tornar uma gostosa saudável. Hein,hein?"

Tá...

Primeiros 5 dias - Não saio de casa, dia cronometrado, barrinhas de cereal na bolsa quando aquela vontade de ir no burguer king bater. Trabalho - casa. Nem paro pra ver as novas guloseimas na maquininha do lado da minha sala. Não... não.
Sexta a noite - Festa. 1 água com gás gelo e limão. Uma empadinha de alho poró me parece pouco calórica. O estoque de barrinhas de cereal na bolsa acabou. Tá...duas cervejas...talvez 4 (porque o que engorda é o tira gosto).
Sábado -buteco : 1 dia todo sem comer, pq se eu só beber...
Domingo - Feijoada na casa da vó. Porque a gente tem que ter o dia de lixão...certo?

Próxima semana - Tpm. Uma caixa de bombom e decido me reeducar na primeira segunda feira de 2014.

Terceira tentativa ( e última) . Terapia+ Endocrinologista
(Primeira segunda de 2014)

"Ansiolíticos"
" Tireoide normal. Vamos tentar reeducação alimentar. Talvez sibutramina te ajude a controlar no princípio."

Primeiro mês - Contas exorbitantes só de remédios .Inibição de apetite.Sonolência durante o dia. 4 kg a menos...incentivo pra não beber.Isso funciona...
Segundo mês - Remédios só se toma 4 vezes na semana porque remedio pontencializa o efeito do alcool...
Meses seguintes - Quem que eu tô querendo enganar? Quando eu parar de tomar tudo isso,vou engordar o triplo! Melhor ficar assim do que três vezes assim... né?

Estaca zero.

Livro interessante na estante - Passo dias lendo sem notar o chocolate que tá ali na cabeceira da cama.
Conversas construtivas na mesa de um bar - copo sempre na metade, palavras tomam o espaço do tira-gosto, gargalhadas desintoxicando o fígado.
Explorando cachoeiras com os amigos - um sobe e desce de pedras, "tchibuns" na água gelada, verde que enche os olhos...trilhas que revigoram a mente...o cansaço gostoso substituindo ansiedades.
Música boa tocando - corpo remexendo,corpo suando, fígado desintoxicando, litros de água matando a sede, cansaço gostoso quando se deita na cama, sono pesado sem pit stop pra assaltar a geladeira a noite.

Enfim.

O segredo:
(aquele que não se mede com "polar",aquele que não se conta na tabela de calorias, nem se vê na bula de um remédio)

Alimente-se muito!

Alimente sua alma de inspirações.
Alimente seu coração de sensações agradáveis.
Alimente seu corpo de música e companhias.
Alimente sua mente de idéias, seu olhos de palavras, imagens,cores.
Alimente sua boca de boas conversas, alimente seus dedos com lápis apontado num papel em branco.

Reeduque seu cérebro.
Desbrave seus dons.
Recrie sua rotina.
Fuja do ócio.
Mantenha-se positivo.

Aí...talvez, quando você, eu, todo mundo, aprendermos a nos desligar do que é necessário pra vivenciar o que realmente queremos....e nos descobrirmos por dentro,e finalmente gostarmos do que vemos por dentro...

Nos amaremos (a nós mesmos)

E aí sim. Aí a gente vai querer botar a beleza pra fora e mostrar pra todo mundo. Aí a gente vai correr atrás de mais alguns anos de vida e vamos querer ser saudáveis pra isso...à medida que toda aquela ansiedade de "ter que ser" for embora...

A tentativa vai virar conquista.

E o alívio de se pertencer...reinará.

- De dentro pra fora.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sobre o que se foi, sobre o que ficou -"pequenas" sensações sobre uma viagem astral.

Essa é uma história sobre encontros de almas.
Nos acolhemos porque precisávamos na mesma medida e em diferentes formas.
Uma foi em busca do alívio,
A outra foi em busca de idéias,
A terceira em busca de aceitação,
E eu,a última, em busca de respostas.

Todas nós em busca do encontro.

Carregamos na bagagem espíritos livres,corações abertos,desejos sem grandes propósitos.

E seguimos para o presente.

Deixamos pra trás o que era feito de dor. Simplesmente nos escolhemos pra isso.
Ou será que já éramos escolhidas?
Caminhos que se cruzaram, isso eu sei que foi.

Fomos levando nas mochilas chinelo,pouco dinheiro,poucas ambições.
No coração desapego e uma vontade imensa de se libertar do caos.
Nas mãos uma máquina.
Na cabeça cerveja,cigarros e só.

Entretanto a surpresa vem de onde a gente menos espera.Nos momentos em que a gente menos espera.
A surpresa sublime encontramos ali. No verde,na queda d'água,num salão feito de pedras.
Encontramos ali,no meio de gente com olhos feito jabuticabas molhadas.
A surpresa nos sorrisos compartilhados...aqueles que vêem da alma!

E talvez vimos aquilo que quase não se vê.
Vimos uma câmera captar a essência de uma vida compartilhada.

Vimos nossos corpos se abraçarem às pedras e dançando sobre elas, agradecidas,sentimos a presença de um Deus.

Vimos vidas se transformando em meio ao despropósito.

O grande encontro de quatro mulheres na idade,
meninas na leveza,
e velhas no espírito.

A vida que se manifesta em pequenas passagens,
Que se justifica na falta de pretensão em se explicar.

Olhares até então voltados ao presente,voltaram a olhar pro infinito.

Resgatamos a esperança de dias melhores.
Nos apropriamos das tais jabuticabas molhadas (do brilho que emanava delas...)
E retornamos,refeitas.

E que Deus nos perdoe por excessos cometidos.
Não houve busca sem retornos construtivos.

Agora não precisamos correr o mundo para o conquistarmos. Nós presenciamos a essência.

Quatro histórias compartilhando uma.
Um trecho do caminho - pequeno e suficiente.

E a trilha sonora fez todo o sentido. Escritas,trocadas,compartilhadas quando preciso foi.
Pequenos detalhes reunidos e reconhecidos de forma sublime - nossa sublime surpresa.
(Falo por mim, que nunca cheguei tão perto de mim mesma)

E entre lavadeiras (o que não se explica), aulas de tai chi, lágrimas e abraços,nos batizamos com outros nomes e com novos sonhos.No fim nos abençoamos, nos protegemos.

Quatro mulheres se apropriaram de um mesmo espírito.
Houve uma que doou cuidados,
A outra ofereceu a calma,
A terceira propôs leveza
E eu,a  última, que não levei coisas tão grandes, entreguei um coração ansioso por fazer parte de algo maior.

E foi assim que deixamos,em cada lugar que passamos, um pedaço de cada uma.

Uma deixou o peso que carregava,
A outra se desfez da angústia do futuro,
A terceira a dor de não se bastar
E eu, a última, deixei morrer a espera que me cegava.

Trocamos tudo pela vontade de não possuirmos tudo.
E Deus esteve ali.
E houveram olharem acolhedores,criaturas cercadas de luz,pessoas interessadas em vivenciar a alegria a que nossos corpos se entregavam.

Voltamos levando na mochila bagagem que não se compra,
No coração respostas que nunca nos deram,
Na cabeça, renovação e paz - que só os que buscam,alcançam.

A que procurou alívio,encontrou em si mesma o antídoto.
A outra que buscou idéias,fez de si mesma inspiração.
A terceira que desejou aceitação,a reconheceu quando se olhou no espelho.
E eu,a última,que busquei respostas, encontrei nas trêscompanheiras de viagem outras verdades que iam muito além do que podia alcançar.

Quatro almas,
Quatro dias.

O suficiente para nos encontrarmos,enfim.


(essa é uma história que não tem fim - e isso é a minha prece...)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Adiante.


E quem vai estar la
para assumir suas culpas,
para tirar suas angústias,
para diminuir o peso de ser um só.

 E quem estará
quando não houver mais desculpas
quando nãou houver mais razões pra ficar

Alguém tem que estar!
pois se eu dobrar mais uma esquina
e não avistar nada adiante
talvez eu recue
talvez eu pare
talvez eu desista

Porque caminhar sem destino
é cansativo demais.

Caminhar sem espera
sem busca
sem chão

E estar sempre lá!
pro outro que nunca vem.
pro outro que não permanece
que só passa,marca,vaza.

Angústia de responder por si mesmo.
Sempre,sempre a espera de alguém que compartilhe.

Vontade que não cessa.
Que não esquece.

Há de encontrar do outro lado da rua
A paciência.
A calma
A beleza de ser.
De ser só e finalmente se bastar.

Mas quem,
quem estará lá.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Aos amigos,com amor

E lá estava a garota de volta para si mesma.Foi tanto tempo fora,que quase não soube voltar.
Se olhou no espelho e viu outra pessoa - seus olhos eram mesmo desse tamanho?Há quanto tempo possuia aquelas olheiras?Não sabia. Não sabia mais quem era.
Mas estava convicta de que deveria voltar. Tinha que voltar pra reparar alguns danos. Tinha que fazer algo pra se resgatar.

Quando se propôs ir embora,deixou a identidade pra trás.Estava disposta a viver a vida de outras pessoas,provar o gosto de outras coisas. Viveu 100 anos fora de si,viveu errando por caminhos contrários a tudo que havia planejado. Viveu sem pensar em maiores prejuízos.

Todos diziam que a garota era uma pessoa decente. Tinha um trabalho,uma família e um amor só.Vivia vida de gente comum.
Se sentia completamente ordinária.

Olhava pras pessoas como se elas não fossem como ela.Teria ela aqueles dois olhos?Aquelas roupas,aqueles sorrisos tão...pequenos?

Vive seu 100 anos dentro de um corpo estranho,com pessoas ao redor que não se identificava, com vidas que não entendia.
Foram 100 anos sem viver maiores ilusões.

Tudo foi sempre muito esperado.Depois de se formar,logo arranjou um emprego respeitável,manteve relacionamentos estáveis com pessoas dignas de se relacionar.
Tudo formado de vocabulário sem sentido, de palavras que se construíam sob o contrário do que esperava que realmente significassem.

Enfim.

Um belo dia,acordou disposta a ser verdadeira consigo mesma.Olhou ao redor e viu mentiras espalhadas por cada canto.Enfiou-as todas no bolso para que não se esquecesse e partiu.
Sem levar nada além do que realmente precisava.

Saiu sem rumo, e a cada passo que dava,avistava pessoas e lugares feitos de mentirinha, tudo feito de coisa triste.
E não se encontrava.

Eu disse que ela quase não soube tomar o caminho de volta. Mas continuou tentando achar essa coisa qualquer que a lembrasse de onde veio,de quem era.

Levou mais 100 anos pra encontrar qualquer coisa.

Se sentia derrotada pelo tempo e sentou-se em um canto,fechou os olhos e olhou para dentro dos seus órgãos-foram anos de completa solidão,que a ensinaram bem a olhar pra dentro dos seus órgaos.
Ainda havia um coração enorme e ar fresco nos pulmões- quis morar ali por um instante, dentro de si.

Mas abriu os olhos e avistou um pássaro azul que pousou sob suas pernas.O pássaro conversava e ela entendia porque seus 100 anos de caminhada a ensinaram a compreender qualquer som.
- Você pode caminhar por mais mil anos e mesmo assim continuará encontrando pessoas e lugares estranho a seus olhos.Nenhum lugar nesse mundo jamais será só seu, portanto se arranje com o que tem.
O pássaro usou essa doçura rara nas palavras duras que não causam dor.
Resolveu finalmente lidar com o inevitável.
Pensou que ainda havia de entender melhor essas palavras que gente usava, e acabasse por identificar nelas algo que a fizesse lembrar dela mesma, e que talvez só assim, ela poderia se libertar dessa solidão.
Despediu-se e caminhou com esses novos pés, esse novos ares, e não demorou pra encontrar um grupo de pessoas que tinham aqueles mesmo dois olhos que há 100 anos não reconhecia.Se aproximou e percebeu em algumas pessoas sorrisos que não eram pequenos...e olhos que não eram dois,e sim um milhão (como achava que possuía).
Sentiu alívio.
E foi esse o momento em que decidiu se misturar à pequena multidão e mostrar os dentes, a palma das mãos.
Foi esse o momento em que se sentiu parte de algo muito maior,onde encontrara a clareza que há duzentos anos não tivera.

Continuou caminhando - agora de mãos dadas -
Pelo percurso ,deixou cair dos seus bolsos aquelas mentiras que outrora colecionava.
Se desfez de tudo aquilo.

Olhando o infinito,se lembrou do pássaro e daquelas palavras doces que agora faziam tanto sentido.
Entendeu, afinal que agora não precisava mais caminhar sem rumo.Que não precisava mais fechar os olhos e insistir por tanto tempo em olhar para seus próprios pulmões e seu coração enorme.
Ela podia olhar com os olhos,e se encontrar em outros corações, e respirar em outros ares.

E assim o fez.

E assim soube o caminho de volta.

E nunca mais foi só.Nunca mais foi uma.
Era dona de si mesma,enfim.
E viveu mil anos...em dias.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Adormecendo o hipotálamo.


A melhor providência a se tomar em tempos de reclusão,é tomar doses diárias de anestesia geral.

Contudo que ainda pense em si mesmo, é uma ótima estratégia no exercício de sublimar a vida.

A proposta não podia ser mais feliz. Propor um alienamento total,uma falta de consciência da vida que o cerca, traz bem estar quase instantâneo a aqueles que se perderam,que se separaram, que vagam por aí sem direção.

Surge então o interesse em saber – por onde começar?

"Anestesiar-se a si próprio" exige mais do que qualquer outra coisa,força de vontade e foco.Não poderá haver dúvidas do que quer pra si mesmo.É ser só?É?Então prossiga.

Comece por pensar que hoje é o que você tem.Além disso,você não tem mais nada.

Acorde decidido a ser racional por uns  tempos.Engula as lágrimas – decida parar de chorar...por uns tempos.

Pense na felicidade como uma escolha diária.Você acorda e tem só dois caminhos:Serei Triste ou serei alegre?Por um dia tente com vontade ser a segunda opção.

Após decisão total,é tempo de guardar o passado dentro de uma caixa,no fundo do armário.Recordações não serão bem vindas por ora, e você,como um novo ser racional, não se apega a mais nada.

Escondeu de si mesmo qualquer vestígio?Prossiga.

O seu tempo agora é dividido em trabalho e bem estar.Liste uma infinidade de coisas que o ajudam a se sentir bem. A sua casa não será seu templo,será por uns tempos somente o lugar que você dorme e come (Tente se aventurar por outras bandas).

Relembrando sempre que agora você é um ser munido da razão, evite sentimentalismos.Não procure coisas,filmes,ambientes e ou pessoas que instigam sua insegurança,que despertam sensações impulsivas e românticas. Relacione—se a coisas,filmes ,ambientes e ou pessoas que estejam na mesma freqüência que você e que o estimule a não pensar.

Adormeça o hipotálamo.

Conduza seus pensamentos ao nível de egocentrismo “blaster”.Saiu do trabalho,arrume coisas agradáveis a você.Eleve a condição de ser fútil ao indispensável.Investimentos temporários e materiais provocam a sensação de saciedade no organismo de quem não tem mais o que nutrir.

E por incrível que pareça,com o passar dos dias as doses diárias de todo esse desapego,passa a fazer efeito.E sentido.

Não.Não acho que precisamos ser intensos todo o tempo.Não precisamos ser interessantes,idealistas,espiritualizados e dedicados ao bem comum o tempo todo.Há tempos que devemos parar de tentar ser qualquer coisa, achar qualquer coisa, para enfim não ser absolutamente nada.

Eu escutei em algum lugar que devemos nos reduzir a cinzas para enfim nos tornarmos alguém novamente. Anestesiar-se por um tempo não é se esconder,não é se afugentar (ou que seja).É simplesmente parar de ser.

E então ,após tempos buscando por nada, economizando nada,amadurecendo nada, heis que surge a estranha necessidade de” se dar alta”.

Anestesiar-se cansa. Sente-se uma vontade enorme de ocupar um espaço,de fazer uma diferença,de compartilhar a vida com alguém, de trocar experiências, de encher a cabeça de idéias novas,de crescer intelectualmente,de se espiritualizar,se humanizar e chorar...chorar..chorar.

Quando finalmente nos damos alta,após uma fase em inércia, voltamos a realidade massacrante dos seres evoluídos.Não basta deixar a vida levar, tem que se levar a vida,mesmo que a mesma venha com acréscimos diários de dívidas,dúvidas e envolvidos.É isso.Chega o tempo de nos envolvermos com o “resto”novamente.

E não há de quê.

Sugestões serão sempre questionáveis.Não que eu ache que minhas opiniões estão livres de readaptações mil,de questionamentos mil – só tento exprimir o que funciona pra mim. Certo ou errado,absurdo ou prático, regredir e aprimorar na minha vida é como um ciclo sem fim.

E tem funcionado.

Use,se quiser (e se precisar).